Começar na horticultura bio-intensiva em pequena superfície é uma aventura apaixonante, mas cheia de obstáculos. Muitos promotores de projeto cometem os mesmos erros no arranque, o que pode rapidamente comprometer a viabilidade da sua quinta. Eis quatro armadilhas clássicas a evitar absolutamente para assentar bases sólidas.


1. Querer fazer tudo ao mesmo tempo

Diversidade de atividades a evitar no arranque: galinhas, fruta, legumes

Um erro frequente entre os novos horticultores é querer fazer tudo ao mesmo tempo: legumes, pequenos frutos, árvores de fruto, galinhas poedeiras, sementes, composto, transformação. A ideia é sedutora no papel, mas na realidade torna-se rapidamente incontrolável.

A horticultura bio-intensiva é já uma atividade muito exigente. É preciso tempo para implementar sistemas eficazes, compreender o solo, o clima, a organização.

Acrescentar outras atividades demasiado cedo, mesmo pequenos frutos ou algumas árvores de fruto entre os canteiros, agrava consideravelmente a carga de trabalho: rega, monda, poda, fertilização. Outras tantas tarefas que exigem energia e tempo que não se tem no arranque.


2. Subestimar a necessidade de investimento inicial

Outro erro frequente: pensar que se pode começar com poucos meios, vender um pouco no mercado e reinvestir progressivamente. Na realidade, isso abranda consideravelmente o seu desenvolvimento e põe em risco a sua rentabilidade.

Estufa de horticultura equipada e sistema de rega, ferramentas de trabalho indispensáveis
Instalar-se em horticultura profissional é dotar-se de uma verdadeira ferramenta de trabalho.

Instalar-se em horticultura profissional não é jardinar, é produzir. É preciso uma verdadeira ferramenta de trabalho. Isso significa investir em estufas, num sistema de rega eficiente, em ferramentas adequadas, numa câmara frigorífica, num local de armazenamento e de lavagem. Sem isso, a produtividade e a qualidade serão limitadas.

Se não dispõe deste montante, é preciso procurá-lo: apoios públicos, empréstimos bancários, microcrédito agrícola, financiamento coletivo. Sem estes meios, o risco é grande de não gerar volume de negócios suficiente para perpetuar a sua atividade.


3. Querer produzir logo na primeira estação

Fase de instalação: montagem de infraestruturas na quinta

Muitos jovens horticultores querem colher e vender logo na primeira estação. No entanto, sem os equipamentos de base, as infraestruturas e a organização, é um erro.

O primeiro ano deve ser consagrado à instalação: montagem das estufas, implementação da rega, construção da sala de lavagem, estruturação do jardim.

O objetivo: estar pronto para uma verdadeira primeira estação comercial no ano 2, com uma quinta funcional e culturas bem dominadas. Alguns milhares de euros não ganhos no primeiro ano serão largamente compensados por um segundo ano muito mais produtivo, fluido e rentável.


4. Começar com uma gama demasiado restrita

Em certas formações agrícolas como o BPREA, recomenda-se muitas vezes começar com uma pequena gama de legumes para os dominar melhor. Este conselho parte de uma boa intenção, mas é contraproducente em horticultura bio-intensiva.

Uma grande diversidade (40 a 50 legumes diferentes, mais de 100 variedades) é, pelo contrário, uma força. Permite diluir os riscos ligados aos erros técnicos ou aos imprevistos climáticos. Se uma cultura falhar, representará apenas uma pequena parte do seu volume de negócios. Com uma gama demasiado restrita, a menor perda torna-se crítica.

Além disso, oferecer uma grande diversidade atrai uma clientela fiel e satisfeita, disposta a comprar mais. Maximiza o potencial de compra de cada cliente, o que é muitas vezes mais fácil do que encontrar novos clientes todas as semanas.


Em conclusão: formar-se, especializar-se, avançar passo a passo

Os erros no arranque são clássicos mas evitáveis. O melhor conselho que se pode dar: forme-se a sério antes de começar. Seguir um BPREA em horticultura é um bom primeiro passo para descobrir a profissão. Depois, complete com formações especializadas, como as propostas por Les Jardins de la Valette, que o mergulham na realidade da horticultura bio-intensiva em pequena superfície.

Tenha calma, estruture-se, rodeie-se das pessoas certas. A horticultura bio-intensiva pode ser rentável, agradável e gratificante, desde que não se queimem etapas.